Os Correios deram nesta
terça-feira (22) um importante passo para a consolidação de políticas públicas
sobre direitos humanos no Brasil. O I Fórum dos Direitos Humanos e da Igualdade
de Gênero e Raça dos Correios foi criado para contribuir com o fim de
desigualdades e preconceitos históricos ainda existentes no país.
Este fórum tem o objetivo de gerar reflexão sobre temáticas de
gênero, raça, orientação sexual, pessoa com deficiência, igualdade de relações
no trabalho, entre outros assuntos. O evento é fruto do trabalho integrado dos
Correios com as secretarias de Direitos Humanos (SDH), de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial (SEPPIR) e de Políticas para as Mulheres (SPM), todas
vinculadas à Presidência da República.
De acordo com o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de
Oliveira, a empresa investe fortemente na inclusão, pois ela é um retrato vivo
da nação brasileira, uma síntese de um perfil multicultural, onde estão
representadas todas as raças, credos e culturas que compõem a diversidade
humana.
“As nossas agências, os nossos uniformes, os nossos selos, a nossa
infraestrutura, enfim, as nossas campanhas de mobilização, todas elas serão
novas ferramentas à disposição do governo federal para implementar as políticas
de valorização dos direitos humanos e da igualdade racial e de gênero, bem como
para combater e inibir todas as manifestações de preconceito e discriminação”,
afirmou Wagner Pinheiro.
Cooperação - Na abertura do evento, os Correios assinaram acordo
de cooperação técnica com a SDH, visando à implementação de ações em prol dos
direitos humanos, tais como afixação nas agências dos Correios de cartazes com
fotos de crianças desaparecidas; a mobilização dos carteiros para atuarem como
agentes de cidadania; a garantia de que todos os funcionários tenham suas
relações estáveis, sejam homoafetivas ou heteroafetivas, reconhecidas para fins
de benefícios sociais e previdenciários, entre outras atividades conjuntas.
Os Correios também assinaram o termo de cooperação aos Princípios
de Empoderamento das Mulheres - Igualdade Significa Negócios, uma iniciativa
conjunta do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e
do Pacto Global das Nações Unidas, em prol da igualdade de gênero e do
empoderamento das mulheres no ambiente de trabalho, no mercado e na comunidade.
Levantamento realizado pelos Correios, em dezembro do ano passado,
aponta que, entre 107 mil empregados entrevistados, 42,8% se declararam negros
e 55%, brancos. Segundo a pesquisa, há 23,5% de mulheres na empresa.
Autoridades – Também estiveram presentes na abertura do fórum as
ministras da SEPPIR, Luiza Bairros, da SDH, Maria do Rosário, e da SPM, Iriny
Lopes.
Luiza Bairros elogiou a atual gestão dos Correios, que em tão
pouco tempo tem desenvolvido um bom trabalho na área de direitos humanos. “Do
ponto de vista institucional, simbólico, nós temos todas as condições criadas
para fazer um grande trabalho. Um trabalho que já começou, mas que com certeza
precisa, nos próximos anos, se afirmar para que os Correios se afirmem e se
reafirmem como uma instituição, uma empresa pública representativa da
diversidade da sociedade brasileira”, enfatizou Luiza.
Maria do Rosário destacou o papel das três secretarias, que têm um
importante significado para o Brasil, “pois juntas são responsáveis por agir
para que o governo federal posicione suas prioridades com um olhar para os
direitos humanos, igualdade de gênero e igualdade racial”. Segundo ela, a
assinatura do termo de compromisso assinado com os Correios possibilitará que
toda a população tenha acesso a direitos que lhe foram negados ao longo da
história.
Como exemplo da exclusão, citou que atualmente 8% da população
brasileira não possui registro civil de nascimento. Uma das ações do acordo é
ajudar a zerar este índice já em 2012. “Como chegar a lugares em que não há
cartórios? Em que não há autoridades constituídas, às regiões quilombolas, às
comunidades indígenas, ao povo do interior do Brasil? Nós queremos chegar com o
uniforme azul e amarelo dos Correios”, afirmou a ministra.
Iriny Lopes disse que tem o orgulho do Brasil estar entre as
maiores economias do mundo, mas que é preciso que o País cresça socialmente
tanto quanto a economia, com distribuição de renda e combate à pobreza. “É esse
Brasil que queremos construir e cumprir com o nosso papel de ajudar o mundo. O
Brasil hoje faz parte daqueles que irão dirigir o mundo, e eu espero que a
gente o dirija para melhor, para a superação das desigualdades”, concluiu
Iriny.
