segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dilma critica ‘solução recessiva’ da União Europeia


A presidenta Dilma Rousseff adiantou nesta segunda-feira 31, durante evento de premiação As Empresas Mais Admiradas no Brasil, em São Paulo, o que deve falar durante a semana na reunião do G20, grupo das principais economias do mundo que se reúne em Cannes (sul da França), durante a semana.


Diante dos principais empresários do País, Dilma disse ver neles uma inspiração. Cada um deles, disse a presidenta, é sobrevivente de crises e dificuldades que se sucederam ao longo dos últimos 20 anos. “Não falo isso por soberba, mas pela certeza de que passaram por enormes desafios e os superaram”, disse.

Dilma classificou a reunião do G20 como um momento crucial em que os líderes da Zona do Euro buscam soluções para uma crise ainda imprevisível e que, segundo ela, tem proporções semelhantes, se não piores, à de 1929.

Numa espécie de prévia do que pretende apresentar em Cannes, Dilma criticou os líderes europeus por buscarem soluções restritivas para resolver problemas como os da dívida soberana, da fragilidade dos bancos com “muros de proteção” em estados solventes. “Junte-se a isso os problemas de baixo crescimento dos países avançados, que nos leva a uma situação de crise de confiança muito semelhante à de 2008.”

A solução, afirmou a presidenta, não pode passar por ajustes recessivos. Caso contrário, “a recessão vai ser uma profecia auto-realizável”. Em vez disso, ela clamou os líderes europeus a estimularem a geração de emprego e a melhoria de vida das populações. “Não acreditamos que a crise será superada com a guerra cambial e velha receita pura e simples da recessão e do desemprego”, disse.

O desemprego e a queda no consumo, segundo a presidenta, minam a possibilidade de recuperação da economia, e provocam “surtos de reação popular e desesperança de muitas famílias”.

Ela lembrou das medidas anticíclicas promovidas pelo antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou de “estadista” e que no auge da crise de 2008 ampliou crédito e incentivou o consumo para evitar uma paralisia na economia com desonerações, investimentos e apoio dos bancos públicos. “O presidente Lula nos levou a uma receita de desenvolvimento, que continuaremos perseguindo”, afirmou.

“É possível crescer com contas equilibradas, com melhores empregos, com inovação”, disse. “Hoje, temos 350 bilhões de dólares em reservas internacionais, cumprimos a meta de superávit, a inflação começa a ceder e a meta de 2011 indica que será cumprida, com uma queda sustentada dos juros”, previu.

Ela lembrou o volume recorde de investimentos produtivos recebidos pelo Brasil até setembro (50 bilhões de dólares) que se devem, segundo ela, à confiança dos investidores no País.

Carta Capital