terça-feira, 11 de outubro de 2011

Uma Data-Base em Quatro Equivocos


O primeiro equívoco do nosso pessoal do movimento sindical (PT e PC do B) nessa campanha começou com a decisão de combater a MP 532 avaliando que se tratava de privatização. Entender que o Conlutas e o PCO tirassem esse posicionamento, pois são oposição, é perfeitamente aceitável. Essa decisão equivocada levou ao isolamento do movimento sindical, pois todos os partidos da base do governo aliada fecharam em torno da proposta. Os aliados do movimento sindical foram o DEM e o PSDB, histórico inimigos dos trabalhadores.

O segundo equívoco, foi os companheiros do PT e do PC do B não perceberem que existia uma boa proposta e se lançaram numa greve que só interessava ao PCO e ao Conlutas. Cometido esse erro, nossos companheiros, para poder disputar a base com essa esquerdalha, teve que radicalizar mais o discurso e com isso foi levando a categoria para um abismo difícil de retornar.

O terceiro equívoco do movimento sindical foi não ter a capacidade de recuar e defender o retorno quando o comando recomendou a assinatura. Quem ousou encontrar uma alternativa, foi taxado de pelego. Esse cara foi o Diviza em SP que tentou uma saída via Ministério Público. Jamais tinha visto um presidente de sindicato propor moção de repúdio para outro companheiro da mesma corrente ( a Amanda de Brasília fez isso). Pergunto a vocês. Isso é tarefa de um dirigente em plena greve onde o jogo está duro? Erros em cima de erros.

Quarto equívoco - Nossos companheiros do PT e do PC do B não tiveram capacidade de discutir uma pauta que fosse defensável. 400 reais de aumento real, de antemão vocês podem avaliar que é impossível. Essa foi à estratégia do PCO e do Conlutas para encurralar nosso povo. Deu certo, pois quando você pede 400 e ganha 50 isso é derrota. Nas categorias onde o Conlutas dirige sozinho as suas pautas são muito mais realistas. No caso dos metroviários de SP dirigido pelo Conlutas, o pedido de reposição era de 10% e fecharam o acordo com 8% sem greve, cantaram vitória. E eles fizeram a pauta perto da realidade porque lá não tem o PT e o PC do B para dividir a responsabilidade. Na Andes (professores universitários) também dirigidos pelo conlutas fecharam acordo de 4% para Março de 2012 e cantaram vitória. Aqui eles empurram uma pauta absurda impossível de ser atendida para poder fazer discurso em cima do nosso povo e crescer com discurso fácil. Nosso povo não tem coragem para enfrentar essa tática da esquerdalha. Fazer uma pauta realista e possível de defender é a primeira atitude para quem tem maioria no movimento. Além disso, o PCO e o Conlutas só tinham a ganhar com a greve, pois com isso vão crescer no CONTECT do próximo ano. Vão ter todos os argumentos para bater no PT e principalmente no pessoal da CNB.

Para concluir discordo de você que a tática da empresa foi a mesma das gestões anteriores. A proposta que tínhamos até o dia 12/09 era apenas a reposição de 6,87%. O presidente da empresa no anseio de evitar a greve bancou a proposta de aumento real e abono. Foi única instituição pública que apresentou proposta de aumento real. Sabe porque não considero isso um erro? Porque durante o processo de negociação ouvimos diversos dirigentes dizer que a greve aconteceria de qualquer jeito e que o movimento iria conquistar a reposição de qualquer jeito. Se tivéssemos seguido as gestões anteriores teríamos oferecido o abono e o aumento real só depois que a greve havia começado, pois era dessa forma que se comportavam os gestores de antes dessa gestão. Fizemos proposta para não ter greve. As lideranças sindicais é que não perceberam as mudanças e levaram a categoria para uma greve suicida.

Avancini

Nota: João Avancini, Um dos fundadores do PT de São José, e um dos Fundadores do sindicato dos Funcionários dos Correios.