O
primeiro equívoco do nosso pessoal do movimento sindical (PT e PC do B) nessa
campanha começou com a decisão de combater a MP 532 avaliando que se tratava de
privatização. Entender que o Conlutas e o PCO tirassem esse posicionamento,
pois são oposição, é perfeitamente aceitável. Essa decisão equivocada levou ao
isolamento do movimento sindical, pois todos os partidos da base do governo
aliada fecharam em torno da proposta. Os aliados do movimento sindical foram o
DEM e o PSDB, histórico inimigos dos trabalhadores.
O
segundo equívoco, foi os companheiros do PT e do PC do B não perceberem que
existia uma boa proposta e se lançaram numa greve que só interessava ao PCO e
ao Conlutas. Cometido esse erro, nossos companheiros, para poder disputar a base
com essa esquerdalha, teve que radicalizar mais o discurso e com isso foi
levando a categoria para um abismo difícil de retornar.
O
terceiro equívoco do movimento sindical foi não ter a capacidade de recuar e
defender o retorno quando o comando recomendou a assinatura. Quem ousou
encontrar uma alternativa, foi taxado de pelego. Esse cara foi o Diviza em SP
que tentou uma saída via Ministério Público. Jamais tinha visto um presidente
de sindicato propor moção de repúdio para outro companheiro da mesma corrente (
a Amanda de Brasília fez isso). Pergunto a vocês. Isso é tarefa de um dirigente
em plena greve onde o jogo está duro? Erros em cima de erros.
Quarto
equívoco - Nossos companheiros do PT e do PC do B não tiveram capacidade de
discutir uma pauta que fosse defensável. 400 reais de aumento real, de antemão
vocês podem avaliar que é impossível. Essa foi à estratégia do PCO e do
Conlutas para encurralar nosso povo. Deu certo, pois quando você pede 400 e
ganha 50 isso é derrota. Nas categorias onde o Conlutas dirige sozinho as suas
pautas são muito mais realistas. No caso dos metroviários de SP dirigido pelo
Conlutas, o pedido de reposição era de 10% e fecharam o acordo com 8% sem
greve, cantaram vitória. E eles fizeram a pauta perto da realidade porque lá não
tem o PT e o PC do B para dividir a responsabilidade. Na Andes (professores
universitários) também dirigidos pelo conlutas fecharam acordo de 4% para Março
de 2012 e cantaram vitória. Aqui eles empurram uma pauta absurda impossível de
ser atendida para poder fazer discurso em cima do nosso povo e crescer com
discurso fácil. Nosso povo não tem coragem para enfrentar essa tática da
esquerdalha. Fazer uma pauta realista e possível de defender é a primeira
atitude para quem tem maioria no movimento. Além disso, o PCO e o Conlutas só
tinham a ganhar com a greve, pois com isso vão crescer no CONTECT do próximo
ano. Vão ter todos os argumentos para bater no PT e principalmente no pessoal
da CNB.
Para
concluir discordo de você que a tática da empresa foi a mesma das gestões
anteriores. A proposta que tínhamos até o dia 12/09 era apenas a reposição de
6,87%. O presidente da empresa no anseio de evitar a greve bancou a proposta de
aumento real e abono. Foi única instituição pública que apresentou proposta de
aumento real. Sabe porque não considero isso um erro? Porque durante o processo
de negociação ouvimos diversos dirigentes dizer que a greve aconteceria de
qualquer jeito e que o movimento iria conquistar a reposição de qualquer jeito.
Se tivéssemos seguido as gestões anteriores teríamos oferecido o abono e o
aumento real só depois que a greve havia começado, pois era dessa forma que se
comportavam os gestores de antes dessa gestão. Fizemos proposta para não ter
greve. As lideranças sindicais é que não perceberam as mudanças e levaram a
categoria para uma greve suicida.
Avancini
Nota: João Avancini, Um dos fundadores do PT de São José, e um dos Fundadores do sindicato dos Funcionários dos Correios.